segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Eu tenho um desejo

Eu tenho desejos como as outras pessoas,na verdade,tenho muito poucos...Ter uma namorada bonita,matar algumas pessoas de que não gosto,e essas coisas que milhares de pessoas gostariam de ter.
Mas no fundo,eu queria sumir.

Não digo morrer porque na morte já está implícito todo o conteúdo reencarnatório e toda aquela baboseira que me deixa preocupado toda vez que estou prestes a me suicidar.Eu penso que,no fundo,Deus deve ser aquele cara que bebe em um pub americano,alcoolatra,e que de vez em quando frequenta os alcoolicos anonimos,e não fica só com mulheres perfeitas,pega gordinhas também,e dá umas brochadas de vez em quando,e na realidade,é o cara mais entediado do mundo...
É como diz aquela música:What if god was one of us,just a bitch like one of us...

É...Deus pode até já ter cometido suícidio milhares de vezes,mas como ele é Deus,não importa.

Mas,continuando...eu quero sumir.Quero ser nada,não ter pensamentos nem emoções e não ter átomos e nem moléculas.Ter minha alma desintegrada junto com tudo de mim.Acho que esse é o maior desejo que posso ter.E proponho,já que sei que muitas pessoas têm esse desejo,uma reunião de todas.Antes que elas se suicidem.

sábado, 19 de dezembro de 2009

Morri enfim

Motivos são desculpas
num mundo onde não há esperança
nem solidariedade,só vingança

São torrentes esplosivas de compulsão
a compulsão pelo trabalho e pela ansiedade por si só
já é o fim de tudo e o caminho do pó

Por isso quero fazer disso um soneto comercial
quero que vá pra tevê,pro mundo,pro jornal
fazer da vida uma vida comercial
e rimar de novo com uma palavra que termene com al

estou aqui fazendo a propaganda da morte
não quero nunca lhe desejar sorte
e que assim fique escrito neste dia de meu fim
morri antes do tempo,morri enfim

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Amigos de infância

Ódio e raiva,de vez em quando são meus melhores amigos,de vez em sempre,nos últimos anos.Eles são bem inteligentes emocionalmente porque quando percebem que estou triste vão lá pra me fazer companhia,e é engraçado,nunca vi dois caras tão desapegados,me dão companhia sem pedir nada em troca.Eu gosto deles.
Um dia eu estava andando pela rua,como de costume eu estava a mais de 8 ou 9 meses sem fazer sexo e 3 semanas sem me masturbar,estava de férias e fazia tempos que não via ninguem conhecido além da minha mãe,meu irmão e meus porteiros.Era um dia comum,a não ser pela temperatura.A temperatura do meu corpo.Eu estava quente como banha na frigideira.E foi nesse momento único de solidão que uma grande amiga que eu não via há muito tempo me viu na rua:era a Raiva.Por algum motivo,quando me sentei num bar e pedi um filé de peixe,comecei a sentir vontade de chorar,acho que era a emoção de ter encontrado a raiva de novo.
Lembro de um dia em que eu estava na escola e pegaram o meu sapato,e a raiva me disse:bata nele.E foi exatamente isso que eu fiz.Lembro quando a raiva me disse pra chingar um motorista que quase me atropelou,e quando me mandou dar um soco na parece pra me sentir melhor.O mais engraçado é que a Raiva adorava o próprio nome,porque ao invés de dizer dá um soco na parece,ela dizia:dá um soco na parece pra ver se passa a Raiva.Eu não entendia muito bem,até que percebia que ela estava assinando a sua frase como se estivesse escrevendo,ela estava dizendo:dá um soco na parede pra ver se passa,Raiva.Ela com certeza é bem vaidosa.
Mas problemas começaram de verdade foi quando a raiva começou a namorar com um tal de Ódio.Esses dois juntos já me fizeram perder muitos amigos,e como se não bastasse ficam me lembrando o meu passado o tempo todo,como se eu fosse culpado de tudo que fiz no meu passado.Eles tiveram três filhos:a Culpa,uma menina com uma cara triste e tremida,o Medo,um garotado que esta sempre se escondendo dentro de alguma caixa,e o arrependimento,esse era o amis velho,e desde pequeno vivia se desculpando pros irmãos mais novos sem motivo nenhum,ele era retardado e mais tarde eu descobriria que sua idade mental seria de 7 anos de idade pro resto da vida.
Bom,a Raiva e o Ódio tiveram mais filhos,mas já são tantos que não dá pra saber quem é filho deles,ou quem simplesmente ficou assim por causa deles ou dos filhos deles.É uma história longa,e a humanidade está até hoje tentando contá-la...nos livros de história,no mercado de bombas e nos manicomios,entre outros...

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Dia comum

Com diarréia,sem apetite a mais de 12 horas,sem forças,cagando o dia inteiro,ouvindo canções tristes no rádio mesmo sem ter tido nenhum caso de amor...eu,deitado no sofá,percebendo como ninguém sente minha falta,penso em metáforas e comparações que me digam o quanto sou sozinho,

Aí estão:

Eu sou tão sozinho que se uma bomba atômica explodisse no meu quarto,minha mãe ia pedir pra abaixar o som do lap top

Sou tão solitário que até minha cachorrinha,a única pessoa que me acompanha todos os dias,é cega

Sou tão triste,que abraço o travesseiro e choro,dizendo:eu também te amo.

Sou tão só,mas tão só,que nem as músicas querem me fazer companhia,e nem os filmes,e muito menos a minha cachorrinha.

Tão sozinho,mas tão sozinho,que meu cu caga só pra ter a bosta como amiga.

Que no final de uma noite em que eu saio com "amigos",eu já estou triste de novo.

Que a solidão é a minha droga

Que não consigo ter animo pra escrever poesia

Que não sou assaltado

Que não sou abordado na rua por entrevistadores famosos

Que estou ficando louco

Que não sei mais a diferença entre conversar comigo mesmo e conversar com os outros

Que não sei a diferença entre a realidade e a realidade,afinal tudo virou realidade

Que sou-me real a partir do momento solitário único desfuncional da paixão dionisíaca ardente do sofá velho e a televisão de plasma

Onde sentido nenhum se encaixa fora se não da forca de retalhos e detalhes de vida inexistentes

Loucura e degradação são as palavras que me definem melhor

Morte parece um degrau a mais pra tudo isso

Quem sabe...