domingo, 17 de maio de 2009

Espelho

Pela primeira vez na vida gostei de mim no espelho da minha alma
Gostei do que vi,do que senti
mas era só eu ali
no fundo achava que nem gostava
mas no fundo só achava,não tinha certeza

Nunca vi uma história tão louca quanto a minha,ia pro recreio na infância e não falava com ninguém.Quando jogava futebol de latinha sempre perdia,sempre era ninguém.Me acostumei a ser ninguém,eu até gostava de ser ninguém,eu não via mas eu como sendo alguém,só ninguem.
Eu cresci e me tornei mulher com essas convicções,chorei quando vi todas as reações,quando vi que todas as reações correspondiam a uma ilusão.

No auge da minha percepção vi que era uma complexada,era uma mulher média que se achava feia,era uma sereia que se pensava baleia.E depois pensei,qual é o problema de ser baleia,elas também evoluem na alma,talvez até mais que eu,mas eu havia criado um outro corpo,um outro rosto,havia criado um

filho
Um filho meu que não era meu.
Era filho da Ilusão
Solidão bateu e doeu quando perdi meu filho,perdi meu eu personal,meu filho imaginário
e nasci de novo
nascendo à primeira vez
perdendo meu filho,nasci pra criar outro
nasci pra ser mulher pela primeira vez,pra ver minha mãe pela primeira vez,pra sorrir pela primeira vez,pra gritar pela primeira,urrar pela primeira,sonhar pela primeira,tranzar pela,calar pela,sonhar pela
falar pela,andar pé
querer p
ser

Um comentário:

Mari Amorim disse...

Alvaro,
simplesmente amei,lindo!

estou participando de uma coletiva em defesa da infância,seu comentário é importante, e sua visita um prazer.
amiga
Mari