domingo, 31 de maio de 2009

Soneto,sem rima,da solidão

Acompanhado nunca me senti mais sozinho
E sozinho tinha mais imaginação
o vazio da solidão é o mesmo
só que mais forte

pulsa no peito,no corpo
arde friamente
dói
ser

Um narciso com o reflexo na água
e mais ninguém
porque ninguém será o suficiente
Alguém nunca vai existir

Sou orfão de nascença
sou assentimental
sou chama e gelo
filho da indiferença

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Fim

Homícidio me lembra suícidio
Sacrifício da própria vida pra deixar outras vidas melhores
pra não cometer homícidio

Quero matar mas não posso,não é certo
Quero morrer mas não posso,todos dizem que não é certo
E me sinto como uma criança,que não consegue entender o que é o certo
satisfeita com a própria crueldade

De matar a própria mãe se necessário
de se matar em nome de algo maior
crueldade real é sempre melhor
que uma bondade idealizada

Sacrifício maior é realizar algo
auto-realizador
é usar todas as possibilidades
acabando com todas elas

quinta-feira, 21 de maio de 2009

O problema(parte 1)

A dor de perder um amor
às vezes é a dor de perder um amor que nunca se teve

A partir dessa frase de cima,posso escrever histórias,livros,odisséias,vidas,poesias
Dores.Dores que não passam e que ficam pro resto da vida,um amor pode ser tudo,pode ser uma mulher,um parente próximo,um cão,um problema próximo,uma dor.

A dor que não te deixa dar o próximo passo,a dor que dói mesmo quando não dói.
Ela pode até não ser A dor,mas dói sempre,pro resto da sua vida,mesmo você não tendo vivido nem 2/10 dela.É a dor de ver que você não é o que poderia ter sido,por diversos motivos.Por perder a perna,por ser baixo demais,por se sentir limitado por algo que se fosse resolvido faria você poder atingir seu potencial máximo.
Mas enquanto não se resolve o seu máximo só pode ser 10%,você fica na mão do problema,você não vive o problema,o problema vive você,ele anda por você,é ele que te carrega na rua quando você já nem sabe mais como se anda,ele vira seu carregador.Até porque,já que ele tá te destruindo pelo menos o seu corpo ele tem que carregar,pelo menos o seu rosto ele tem que deixar limpo.

E você vai ver esse problema fazer amigos,vai ver seu problema com seus familiares e você estará sozinho,mas mesmo assim,ajudará o problema a progredir.Vai o problema ficando com a garota que você devia estar ficando,e vai rir de si mesmo,vai dizer que não merece,e sim ele.
Vai ser pisado e ficar sem voz,a voz do problema é a sua agora,você não tem mais o direito de falar,não tem mais o direito de viver.O problema vai pegar seu dinheiro,pegar sua mãe,vai destruir o seu pau,e você vai estar lá,fazendo a única coisa que ainda dá pra fazer:observar.

Dia-a-dia,ano-a-ano

vai fazer planos,ter desenganos sobre tudo

vai morrer e ressuscitar,se transformar nos olhos invencíveis,impossíveis de não ver

e aí
quando você voltar,quando finalmente conseguir

vencer o problema

Vai gritar:

Nasci!

domingo, 17 de maio de 2009

Espelho

Pela primeira vez na vida gostei de mim no espelho da minha alma
Gostei do que vi,do que senti
mas era só eu ali
no fundo achava que nem gostava
mas no fundo só achava,não tinha certeza

Nunca vi uma história tão louca quanto a minha,ia pro recreio na infância e não falava com ninguém.Quando jogava futebol de latinha sempre perdia,sempre era ninguém.Me acostumei a ser ninguém,eu até gostava de ser ninguém,eu não via mas eu como sendo alguém,só ninguem.
Eu cresci e me tornei mulher com essas convicções,chorei quando vi todas as reações,quando vi que todas as reações correspondiam a uma ilusão.

No auge da minha percepção vi que era uma complexada,era uma mulher média que se achava feia,era uma sereia que se pensava baleia.E depois pensei,qual é o problema de ser baleia,elas também evoluem na alma,talvez até mais que eu,mas eu havia criado um outro corpo,um outro rosto,havia criado um

filho
Um filho meu que não era meu.
Era filho da Ilusão
Solidão bateu e doeu quando perdi meu filho,perdi meu eu personal,meu filho imaginário
e nasci de novo
nascendo à primeira vez
perdendo meu filho,nasci pra criar outro
nasci pra ser mulher pela primeira vez,pra ver minha mãe pela primeira vez,pra sorrir pela primeira vez,pra gritar pela primeira,urrar pela primeira,sonhar pela primeira,tranzar pela,calar pela,sonhar pela
falar pela,andar pé
querer p
ser

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Buda Urbano(parte 1)

Outro dia acordei e perdi a vontade de sorrir.De vez em quando sorria,mas não sorria muita vez,sorria uma vez ao dia.E de repente acordei e eu já não saía.Dava uma saída ou outra pra comer sozinho em alguma lanchonete ou pra matar a saudade da comida japonesa,mas voltava pra casa.

Dei o nome praquilo tudo de apatia,e três segundos depois vi que não era,porque eu ainda sorria.

É engraçado,só por que eu parei de sair eu achei que tinha que ficar triste,mas até ali eu não percebera:nunca fora tão feliz em minha vida.Nunca me senti tão em paz.

Até que um dia pensei:Será que que estou reprimindo?Mas quatro segundos depois vi o erro em meu pensamento,porque eu estava sorrindo pra um estranho.

Estranho,achei estranho como qualquer um eu acharia.

Mas não era nada estranho.

Eu estava mais próximo da iluminação.

Eu era Buda e não sabia.
Meio presunçoso,não?!Eu também achei,eu também achei...

terça-feira, 12 de maio de 2009

Mousse de Maracujá

É engraçado como Dona Íris,minha vizinha,gosta de ser chata.
Aparece lá em casa,diz sempre as mesmas coisas,enquanto fico olhando seu vestido,os detalhes do seu vestido,olho a parte do peito e vejo que tá caído,peito caído me desconcentra.Por que ela tinha peito caído?Por que eu olhava o peito caído dela?Por que o peito dela olhava pra mim?
Fui trabalhar,e como o trabalho é chato tenho que olhar pra vários corpos diferentes e estranhos!Nunca vai uma gostosa,só gorda!To cansado,entediado!Se existe alguém mais entediado que eu sou eu.Se eu existo só dois de mim pra deixar minha exist~encia mais entediante.Mas eu percebi que não existo.Quem existe é esse tal dealter ego,esse eu eu nunca vi,só vi meu alter.Mas pelo menos ele deixa minha vida segura,tediosa,mais segura,ganho meu pão...trabalho razoavelmtente....tenho meu tempo pra dormir.Tudo bem,não tenho uma vida,porém vou vivendo a vida que eu não tenho nos filmes,no teatro...
Ah,como eu entendo de teatro,sempre quis ser ator,mas Maria não deixou,queria que eu fosse engenheiro,eu falei que não,ela morreu,matei-a,e nunca mais quis saber de teatro nem engenharia,minha vida é viver tentando não atrapalhar ninguém,sou um meio do capitalismo,vou viver sem pecar,pra que Deus me perdoe,matar minha mãe foi impulso.
Quando saio do trabalho vou pra igreja,olho pro chão,procuro uma saia,olho pra cara do padre e não entendo porra nenhuma do que ele tá falando,não entendo nem por que to ali,só sei que quero perdão,tirar aquele peso,não vejo nem mais sentido na vida...

...só vivo por causa do meu mousse de maracujá no final do dia,todo dia eu como mousse de maracujá,10 por cento do meu salário é pro mousse,esse é o sentido da vida pra mim,meu nome é João,meu nome é mousse de maracujá

sábado, 9 de maio de 2009

Rap do sono

Sono
falta de concentração
fecho o olho e durmo
acordo não tenho opção

Acordo as 9h não tenho tempo pra pensar
estou no meio da aula
a professora a falar
escondo acordado a opção de pensar
e durmo noiado de a professora escutar

Meu roncosilencioso de aus~encia
meu canto charmoso de entrega a sonolência
cabeça caída no meio da mão
o pé,no chão,não tenho opção

Não tenho desejo
não tenho necessidade
não tenho ensejo
não tenho vontade

Só durmo,desmaio
caio no chão
o sono vem
sem opção

Me conta devagar tudo o que ocorreu
que ele dormindo não era
que eu acordado não era
o que era realmente eu

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Inocência

A Inocência é bonita
como é sedutora num homem
se o homem sabe de tudo não conquista ninguém
se você sabe de tudo você não conquista ninguém

Eu não sou inocente,nem sedutor
sou um mero conhecedor de tudo um pouco
consciente de tudo,sou um sempre atento
um sempre tento a mulher perfeita

Um ignorante de nascença
que fez do conhecimento doença
tornou a ilha da inocência
um tesouro a ser achado

Inocência perdida
Inocência achada
Cadê você
Minha inocência roubada

Inocência achada
Inocência ilhada,traçada de cicatrizes
que criaram raízes e fincaram seus pés em meu pescoço
fincaram raízes em meus vasos sanguíneos e neurônios

Inocência traçada errada
partindo pra viajar na Urca muito cedo,ficou presa lá
em frente ao cais,perdida,procurando o Roberto Carlos
que eu nunca achei

Inocência de alguns viciados
dos que acham que vivem,vivendo em em computadores
das mesas que caducam e acham que tem pés
dos Josés Marias perdidos pela rua

Das esquinas das prostitutas
como é bonita a inocência das prostitutas
a inocência das putas
é mais bonita que a minha

Cadê minha tia
cadê a tia pra me dar um doce
quero correr na rua jogar queimado
brincar de circo,de lutinha com meus primos

Cadê meus primos?
quero sobrinhos pra brincar então
não tenho sobrinhos
cade meus sobrinhos porraaaaaaaaaaaaaaa???!
Quero meus sobriiinhoos!!!

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Como o mundo é bonito

Como elas são bonitas
como sou lindo quando penso nelas
como elas são lindas quando pensam em qualquer coisa
me apaixonei por todas as mulheres do mundo

E qualquer coisa é bonita
essas letras,uma xícara de chá
as peças das canetas e
as pernas de uma mesa de bar

O que seria do mundo se não fossem elas?

Ostento

Sim
a vida é suave
como a vida de uma borboleta
é mesmo uma fresta de sentimentos e sensações

Somos uma festa de bebê
chá de panela
brincando com nossos brinquedos de guerra
e dinheiros

A minha diversão é criar a diversão
divertido é ser divertido ser-se divertido
verticalizar sombras de sentido

a vida não tem sentido
nós é que damos o sentido à vida

terça-feira, 5 de maio de 2009

Hidrante da Infância

Vi o garoto no chão
o baixinho da minha infância foi atropelado
quando vi lembrei do meu passado
e dos dias que passei por aquele hidrante

Ficava ali
Sentado em cima dele
brincando que o mundo era meu
levando as compras pro castelo

O mundo era aquilo
A rua do coco
a banca de jornal no final de algumas ruas
a padaria,o flamengo,aquele lugar desconhecido(centro,Botafogo)
Irajá e o catete

Minha vida tava presente
Lembro pouco daquele tempo
tinha raiva das meninas
caía sempre de bicicleta

Gostava muito de esporte
era viciado em video-game
sou viciado em video-game
ainda sou criança
ainda tenho raiva das meninas
e cada vez mais volto a ser o que era
na infância